terça-feira, 25 de agosto de 2009
O sol aqui já está embaçado. A chuva quase não desce mais. O ciclo da água foi cerrado e o chão está começando a rachar. Os engarrafamentos estão cada vez mais constantes. As crianças estão cada vez mais ameaçadas, mesmo elas sendo o futuro desse país, como diziam lá atrás.
Vendo daqui do futuro, enxergo bem melhor as coisas quando olho para trás. O sol estava amarelo, completamente ofuscante. O céu era azul e os pássaros tinham ânimo ao cantarolar. Quando a chuva caia era motivo de reclamação para os pedestres sem guarda-chuva. Toda aquela água deixava-os encharcados. Até eu reclamava, mas vendo daqui do futuro percebo o quanto era feliz e não sabia.
O campo de futebol onde meus amigos jogavam bola hoje virou uma indústria de cosméticos. A praça onde eu e amigas passávamos a tarde conversando virou um shopping. Vendo daqui do futuro nada disso pareceu tão real. Uma vida passageira. Toda vida é passageira. Só não sabemos onde vai parar esse trem.

O futuro do nosso país está envolvido com drogas e tráficos. O futuro do nosso país está fazendo malabarismo no sinal para ver se consegue a metade do dinheiro para comprar um pão. O futuro do nosso país anda de pé no chão e contrai doenças constantemente. O futuro do nosso país não está em nossas mãos... O futuro do nosso país está jogado em todo canto dele.

 


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